quinta-feira, 23 de setembro de 2010

No meio da loucura

Ele não queria estar ali. Por que fora chamado? Era tão novo. Chegaram um dia em sua casa apenas avisando que os homens da casa seriam levados. Não teve nenhuma opção.
Agora estava ali, em meio àquele caos. Sem volta. Seguindo ordens que não queria, de gente que não gostava e ainda lhe diziam que era para um bem maior.
Todo dia era obrigado a conviver com aquela selvageria.
Ao fim de tudo aquilo, finalmente pôde voltar a sua vida, mas a imagem daquele horror não lhe saía da cabeça.
Morreu meses depois. A loucura lhe tomou conta. Suicidou-se.

"Why don't presidents fight the war,
Why do they always send the poor?"

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Ombro-amigo

Sua vida havia virado um inferno. Essa era a unica explicação que a jovem conseguia dar à suas amigas, que perguntavam o por que de todo aquele choro. Não adiantava nada, suas amigas faziam carinhos em seus belos cabelos cacheados, elogiavam-a para que se sentisse melhor, tentavam tomar suas dores e xingavam todo e qualquer possível responsável pela infelicidade dela. Nada. A jovem continuava aos prantos e continuava sem conseguir se explicar melhor que: "minha vida se tornou um inferno!" Já sem ideias de como acalmar a garota e perdendo também um pouco da paciência pelo fato de ela não se expressar melhor, as amigas foram perdendo as esperanças de ajudá-la. Então todas se calaram de repente assustadas, ou melhor, surpresas com quem viam ali. Aquele silêncio chamou a atenção da jovem que separou sua cabeça de seus joelhos, aos quais abraçava com toda sua força, e levantou seu olhar para averiguar quando se deu de frente para com um rosto familiar. Era um rapaz de sua classe, ninguém mau, mas ninguém que esperasse ver naquele momento. Um rapaz que nunca escondera sua frieza, nunca amara ninguém de fora de sua família e agora estava ali se pondo a ajudar uma mera conhecida em momento de tristeza. Ela não entendeu muito bem mas antes que ela disse-se alguma coisa ele pôs a mão sua face de forma surpreendentemente suave, e sem perguntar o que houve sem exigir dela que se expressa-se sorriu e disse:"sabe, você ta ainda mais bonita agora que parou de chorar". A jovem riu e enquanto ria percebeu que era verdade, ela não chorava mais. Preocupada em entender o que ele estava fazendo ali, ela por alguns instantes tinha esquecido de seus problemas e antes que ela pudesse lembrar ele a fez rir. Então ele disse:"Pra que tanto riso? Só porque eu disse que você está mais bonita sem chorar não quer dizer que você tem que se exibir." E ela emendou as risadas, não dando tempo aos problemas que voltassem. Aproveitando o bom momento o rapaz pediu a ela que se levantasse estendo-a a mão gentilmente. Assim que ela levantou com sua ajuda, ele a abraçou sussurrando "vem ca" e com força e sutileza igualmente espantosas. Ela se assustou por estar sendo abraçada por um conhecido tão "não próximo" mas não conseguiu resistir, fechou os olhos e aproveitou aquele abraço. As amigas não entenderam nada, como elas que perguntaram tudo que podiam, que falaram as mais belas palavras e os mais belos juramentos de amizade não conseguiram em mais de meia hora o que ele conseguiu em menos de um minuto? Não percebiam que se preocuparam em tentar parecer boas amigas, para que ela não se sentisse só, ou em entender o que estava ocorrendo, nada disso era necessário. Ela não queria ser entendida ou acompanhada. Só queria se sentir melhor. E foi exatamente isso que o, antes julgado como frio, rapaz fez. Ele a fez se distanciar dos problemas por tempo suficiente para que ela se sentisse um pouco melhor. Como? Com o melhor remédio para todo rosto triste, uma boa risada. Então o menino pergunta, bem baixinho: "já se sente melhor?" E ela respondeu: "sim, mas por favor não me solte ainda." Ele não disse mais nada, apenas atendeu ao pedido. Após algo próximo a 3 minutos de abraço, ela vê que todas as amigas haviam ido e pergunta a ele: "por que o seu abraço é tão gostoso?" Ele dá uma risadinha de canto de boca e responde: "Eu tenho uma teoria..." E vai-se a explicar a seguinte teoria:"acredito que Deus faz a todos nós com um "pacote" de qualidades, afinal todo ser humano tem algumas coisas boas em si. Mas acredito também que ele não fez isso comigo, resolveu que eu seria diferente. Como você deve ter ouvido ou percebido, sou uma pessoa fria, logo não muito amorosa delicada ou gentil na maior parte do tempo. Também pode ver que não sou nenhum modelo, digo-lhe também que não tenho uma inteligência de alguém super-dotado ou algo assim. Pois bem, Deus decidiu que eu não teria nada disso, que eu teria uma e apenas uma qualidade. Mas obviamente não quis ser injusto comigo, então decidiu que seria a melhor de todas, a qualidade das qualidades. Deus me tornou então o melhor suporte que todo e qualquer ser humano que me conhecesse teria em toda sua vida". Terminada a louca teoria a menina mais uma vez se pôs a rir, uma risada pura e ainda mais alegre, pois ela percebera que tinha ganho um poderoso suporte para quando se sentisse desmoronar. Mais que isso, o melhor suporte de todos, mais que isso, um amigo. E se despediu sabendo que seus problemas não tinham sumido mas que, sentindo-se melhor, poderia enfrentá-los e que podia contar com um novo amigo. Não só um amigo, mais que isso, seu melhor e mais novo ombro-amigo.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Queda livre

À centenas de metros do chão um jovem rapaz se encontra em queda livre. Ele está assustado, claro que isso parece natural, mas algo diz que não é do impacto que o rapaz tem medo. Observando tudo de ainda mais alto, está Deus, e ele mesmo com sua infinita sabedoria se pergunta o que há com o jovem em queda livre. Então com a intenção de tirar a expressão assustada daquele tão jovem rosto diz:
-Relaxe, do chão você não passa.
Prontamente o jovem responde a Deus como se fosse alguém comum, como se fosse apenas mais um jovem:
-É isso que me assusta.
Espantado Deus pergunta:
-O que quer dizer meu filho?
Após um curto e triste suspiro vem a resposta:
-Há não muito tempo descobri que alguns dos piores demônios não estão no inferno, mas no mesmo lugar aonde estou prestes a pousar.
Deus não se pôs a responder, deixou que a queda guiasse o rapaz. Então o rapaz com a mesma questão em mente continuou a descer, até que...Seus olhos se abriram , era um sonho. Ainda meio ofegante o rapaz se levanta e se olha no espelho, reparando que agora não se via mais uma expressão assustada. Seus olhos mostravam fé, seus punhos fechados com tanta força quanto ele conseguia fechá-los, determinação. Aquele jovem se tornara homem, um homem destinado a fazer o possível para parar o mundo. Lutando para que os olhos de todos se abrissem, como os dele se abriram, mostrando que não era ele em queda livre e sim, todo o mundo.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Um sorriso

Desembarquei do avião. Peguei minhas malas e segui para o portão. Cabisbaixo.
O aeroporto estava cheio. Avistei um menino sentado em suas malas, encarando o chão, com aparência triste. Um tempo depois uma menina aparece a sua frente. Ele levanta o rosto. Percebe-se em seu rosto a alegria, em seu olhar a emoção. Um sorriso. A menina lhe dá um rápido beijo. Eles se abraçam e seguem em direção à saída.
Sento-me em minhas malas. Não mais estou cabisbaixo. Vejo-a se aproximando. Vindo em minha direção. Um sorriso

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Feliz em tê-los

Meio chatos,
protetores,
mulatos,
encantadores.

Já bem vividos,
conselheiros,
já bem antigos
companheiros.

Esquecida ela,
reclamão ele,
ele reclama do esquecimento dela
e ela não esquece as reclamações dele.

Há dezessete anos
eu pude conheçe-los,
por dezessete anos
sou feliz por tê-los.

Não agredeço
por me pôr no mundo,
vocês fizeram muito mais.
E esclareço:
sinto um orgulho profundo,
me orgulho de MEUS PAIS.

domingo, 18 de julho de 2010

Minha obra

Se vocabulário falta,
criatividade sobra.
Palavras são meus tijolos
E essa aqui é minha obra.

Mas não me chame de engenheiro,
sou um terno pião
com muito a aprender.
Em busca da superação.

Cada andar é um pensamento
feito de bons argumentos,
Com alguns quilos de sentimento.
Essa é minha construção.

Sem falsidade.
Isso ta fora da minha planta,
no meu prédio toca um som
que a todos males espanta.

E se a voz traz proteção,
a vista relaxamento
vejo a beleza do mundo
de cada apartamento.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Momentos

O menino olhava para o pôr-do-Sol. Era a primeira vez que via um pôr-do-Sol. Era a primeira vez que ia a uma praia. Era a primeira vez que sentia os lábios de uma mulher tocar os seus. A sensação era estranha e boa ao mesmo tempo. Não era algo que desse para se imaginar. Separou seu rosto do dela e fitou seus olhos. Olhos lindos, azuis como o mar a sua frente. Cabelo ruivo, contrastante com o pôr-do-Sol. Foi o momento perfeito.
Ela riu. "Que foi?" ele indagou. "Nada. É só que você ficou tão maravilhado. Seus olhos estavam brilhando de emoção" e riu de novo. "Você entende o porquê". "Sim, eu entendo".
Não trocaram mais palavras. Não era necessário. Olhavam um nos olhos do outro. Se beijaram de novo. Um beijo mais longo. Mais intenso. Separaram os rostos e encararam a praia. E o menino olhava para o pôr-do-Sol. Era a primeira vez que via um pôr-do-Sol.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Tristeza

Bate tristonho em meu peito,
com força quase nenhuma
e não sei como dar um jeito
para que essa dor suma.

Como livrar-me da dor
se não sei como me atingiu?
E seja como for
minha alegria esvaiu

A dor de perda alguma
ou a de estar só,
descobri que nenhuma
das duas é a pior.

O pior é não saber
a razão de seu sofrer,
pois enquanto não descobrir
serei incapaz de fugir...

terça-feira, 29 de junho de 2010

Terapia


Após alguns segundos se olhando,
o ouvinte pergunta:
Como você esta?
E no sofa se ajeitando,
o menino responde:
Não sei como lhe contar
Sendo bom no que faz,
o ouvinte insiste
e já não aguentando mais
o menino desiste

Por horas afim
palavras voam.
Em um desabafo sem fim
sentimentos ecoam.

Terminados os assuntos
ouvinte e menino se despedem.
Dois amigos que juntos
se ajudam e cerscem.
Exercendo função
de terapeuta e paciente
amigos se ouvem, em discução,
e desabafo comovente.

PS.:escrevo este texto em agradecimento a todos que lêem meus textos, vocês são meus terapeutas a ouvir meu desabafo (em forma de poesia) e especialmente a amigos como Hugo Gomes que mais que ninguém divide comigo a função de ouvinte.