sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Queda livre

À centenas de metros do chão um jovem rapaz se encontra em queda livre. Ele está assustado, claro que isso parece natural, mas algo diz que não é do impacto que o rapaz tem medo. Observando tudo de ainda mais alto, está Deus, e ele mesmo com sua infinita sabedoria se pergunta o que há com o jovem em queda livre. Então com a intenção de tirar a expressão assustada daquele tão jovem rosto diz:
-Relaxe, do chão você não passa.
Prontamente o jovem responde a Deus como se fosse alguém comum, como se fosse apenas mais um jovem:
-É isso que me assusta.
Espantado Deus pergunta:
-O que quer dizer meu filho?
Após um curto e triste suspiro vem a resposta:
-Há não muito tempo descobri que alguns dos piores demônios não estão no inferno, mas no mesmo lugar aonde estou prestes a pousar.
Deus não se pôs a responder, deixou que a queda guiasse o rapaz. Então o rapaz com a mesma questão em mente continuou a descer, até que...Seus olhos se abriram , era um sonho. Ainda meio ofegante o rapaz se levanta e se olha no espelho, reparando que agora não se via mais uma expressão assustada. Seus olhos mostravam fé, seus punhos fechados com tanta força quanto ele conseguia fechá-los, determinação. Aquele jovem se tornara homem, um homem destinado a fazer o possível para parar o mundo. Lutando para que os olhos de todos se abrissem, como os dele se abriram, mostrando que não era ele em queda livre e sim, todo o mundo.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Um sorriso

Desembarquei do avião. Peguei minhas malas e segui para o portão. Cabisbaixo.
O aeroporto estava cheio. Avistei um menino sentado em suas malas, encarando o chão, com aparência triste. Um tempo depois uma menina aparece a sua frente. Ele levanta o rosto. Percebe-se em seu rosto a alegria, em seu olhar a emoção. Um sorriso. A menina lhe dá um rápido beijo. Eles se abraçam e seguem em direção à saída.
Sento-me em minhas malas. Não mais estou cabisbaixo. Vejo-a se aproximando. Vindo em minha direção. Um sorriso

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Feliz em tê-los

Meio chatos,
protetores,
mulatos,
encantadores.

Já bem vividos,
conselheiros,
já bem antigos
companheiros.

Esquecida ela,
reclamão ele,
ele reclama do esquecimento dela
e ela não esquece as reclamações dele.

Há dezessete anos
eu pude conheçe-los,
por dezessete anos
sou feliz por tê-los.

Não agredeço
por me pôr no mundo,
vocês fizeram muito mais.
E esclareço:
sinto um orgulho profundo,
me orgulho de MEUS PAIS.

domingo, 18 de julho de 2010

Minha obra

Se vocabulário falta,
criatividade sobra.
Palavras são meus tijolos
E essa aqui é minha obra.

Mas não me chame de engenheiro,
sou um terno pião
com muito a aprender.
Em busca da superação.

Cada andar é um pensamento
feito de bons argumentos,
Com alguns quilos de sentimento.
Essa é minha construção.

Sem falsidade.
Isso ta fora da minha planta,
no meu prédio toca um som
que a todos males espanta.

E se a voz traz proteção,
a vista relaxamento
vejo a beleza do mundo
de cada apartamento.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Momentos

O menino olhava para o pôr-do-Sol. Era a primeira vez que via um pôr-do-Sol. Era a primeira vez que ia a uma praia. Era a primeira vez que sentia os lábios de uma mulher tocar os seus. A sensação era estranha e boa ao mesmo tempo. Não era algo que desse para se imaginar. Separou seu rosto do dela e fitou seus olhos. Olhos lindos, azuis como o mar a sua frente. Cabelo ruivo, contrastante com o pôr-do-Sol. Foi o momento perfeito.
Ela riu. "Que foi?" ele indagou. "Nada. É só que você ficou tão maravilhado. Seus olhos estavam brilhando de emoção" e riu de novo. "Você entende o porquê". "Sim, eu entendo".
Não trocaram mais palavras. Não era necessário. Olhavam um nos olhos do outro. Se beijaram de novo. Um beijo mais longo. Mais intenso. Separaram os rostos e encararam a praia. E o menino olhava para o pôr-do-Sol. Era a primeira vez que via um pôr-do-Sol.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Tristeza

Bate tristonho em meu peito,
com força quase nenhuma
e não sei como dar um jeito
para que essa dor suma.

Como livrar-me da dor
se não sei como me atingiu?
E seja como for
minha alegria esvaiu

A dor de perda alguma
ou a de estar só,
descobri que nenhuma
das duas é a pior.

O pior é não saber
a razão de seu sofrer,
pois enquanto não descobrir
serei incapaz de fugir...

terça-feira, 29 de junho de 2010

Terapia


Após alguns segundos se olhando,
o ouvinte pergunta:
Como você esta?
E no sofa se ajeitando,
o menino responde:
Não sei como lhe contar
Sendo bom no que faz,
o ouvinte insiste
e já não aguentando mais
o menino desiste

Por horas afim
palavras voam.
Em um desabafo sem fim
sentimentos ecoam.

Terminados os assuntos
ouvinte e menino se despedem.
Dois amigos que juntos
se ajudam e cerscem.
Exercendo função
de terapeuta e paciente
amigos se ouvem, em discução,
e desabafo comovente.

PS.:escrevo este texto em agradecimento a todos que lêem meus textos, vocês são meus terapeutas a ouvir meu desabafo (em forma de poesia) e especialmente a amigos como Hugo Gomes que mais que ninguém divide comigo a função de ouvinte.

sábado, 26 de junho de 2010

Reações


Estava decidido, eles iriam para Formidonis. Rodrigo e seus amigos tinham ouvido falar dessa cidade há algum tempo. Diziam que a cidade em si não tinha nada de mais e era tudo muito barato, mas o que chamava atenção nela era um parque. Um parque dedicado apenas ao terror. E nesse parque, um brinquedo. Um brinquedo que era considerado o brinquedo mais assustador do mundo. Um simples trem fantasma, mas que metia medo em todos que nele entravam.
E eles foram. Alugaram um micro-ônibus e partiram para a cidade. Iriam ficar por uma semana lá, em uma casa alugada.
Logo na noite do primeiro dia eles resolveram ir ao parque e entrar no tão falado brinquedo. Entravam dois por vez e sempre saíam com o medo estampado no rosto. Chegara então a vez de Rodrigo, iria sozinho. Entrou. Foi a primeira vez que realmente experimentou o medo, mas era um menino orgulhoso demais e reprimiu seu sentimento para se gabar com seus amigos.
Aproveitaram o resto do parque e voltaram pra casa. Já era tarde.
Naquela mesma noite, apareceu para Rodrigo uma mulher de longos cabelos negros jogados na frente do rosto, coberta por um manto negro e segurando uma tesoura em uma das mãos. Antes que Rodrigo pudesse esboçar uma reação, ela matou sua amiga que estava passeando com ele. Não havia mais ninguém por perto. Ele correu. Correu e conseguiu fugir da mulher.
Todos estavam triste com a morte de Belatrice, mas não fora a única. Noite após noite amigos de Rodrigo eram mortos pela mesma mulher, com a mesma tesoura, e Rodrigo sempre conseguia fugir. A polícia não conseguia entender porque aqueles adolescentes estavam sendo assassinados um após o outro.
Na quinta noite um deles conseguiu escapar da mulher, seu melhor amigo. No dia seguinte, a polícia acusa Rodrigo de ser o assassino e o prende. Após interrogatório ele é mandado para um instituto para pessoas com perturbações mentais.
Sexta noite. Rodrigo está em seu quarto branco. Quando a porta se abre. A mulher entra. ele corre pelo quarto gritando. Ela passa por ele em direção a cama. Ele corre para a porta. Trancada. Ele berra, berra, mas no meio de loucos, berros são constantes. A mulher se agacha e retira um haste de metal pontiaguda da cama que já estava quase solta. Segue em direção a Rodrigo. Levanta a haste e finca-a em Rodrigo. A mulher desaparece. Rodrigo segura em suas mãos uma haste de metal, perfurando o próprio peito. Cai encostado na porta. Morto.
Do lado de fora sua ficha presa à porta cai, nela pode-se ver escrito:

Paciente: Rodrigo Diaz Machado
Notas: O paciente sofre de dupla personalidade. Assassinou diversos amigos não estando em estado normal. Repressão de um forte sentimento pode ter sido a causa para tal distúrbio ter se iniciado.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Alguém sabe me dizer?


Alguém sabe me dizer?
Me dizer o que dói mais.
O vazio
que a perda vem gerar?
Ou o vazio
sem data nem certeza de acabar?

Alguém sabe me dizer?
Dizer o que escolheria.
Se sofrer com uma perda
ou se nem começaria
aquilo, que perdendo
ou nunca tendo,
lhe fará falta um dia.

Alguém sabe me dizer?
Me dizer o dói mais.
Perder alguém que te amou
ou não te amarem jamais?
A tristeza e a dor
de ser abandonado
ou a angústia e o temor
de nunca ser amado?