segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Só pra te ver sorrir


Acordo cedo e cansado, mas cheio de bom humor
Com o corpo pesado e sempre cheio de dor
Uma semana difícil como a que esta por vir
Mas esqueço tudo isso só pra te ver sorrir

Te espero acordar enquanto te assisto dormir
Invento palavras e sentimentos que tentamos definir
Conto as horas pra te ver e te chamo pra fugir
É só parte do que faço só pra te ver sorrir

Viajaria o mundo inteiro da Itália ao Haiti
Iria agora mesmo pra onde você quiser ir
Faço do mundo um esconderijo, se sorrindo me pedir
Pois eu abro mão de tudo e só pra te ver sorrir

Sei que as lágrimas também tem motivos pra cair
Mas saiba que é só chamar e darei um jeito de vir
Com os olhos brilhando e o ombro amigo que prometi
Paro a chuva de seus olhos para então te ver sorrir

Esse sentimento anônimo que não podemos medir
E que lhe escreverá poemas enquanto a palavra lhe servir
Me mostra que se eu tenho mesmo um motivo pra existir
Não me restam mais dúvidas. É só pra te ver sorrir!

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O melhor amigo do homem, o cachorro engarrafado


Entrou no bar de cabeça baixa. Levantou a cabeça, viu alguns amigos jogando sinuca. Cumprimentou-os com o olhar e voltou a abaixar a cabeça enquanto sentava em uma mesa livre. Os amigos já sabiam que deveriam esperar. Chamou o garçom e pediu um copo do whisky mais caro da casa.
Ficou olhando pro copo cheio a sua frente. Abriu um pequeno sorriso irônico. “É, meu caro amigo, aqui estamos nós de novo” e tomou um gole. Ah, aquela sensação do whisky descendo, era exatamente daquilo que ele precisava. “Realmente não sei o que há de errado comigo. Por que tudo sempre acaba da mesma maneira?” Mais um gole. “Sabe, eu to cansado da mesmice da vida. Eu queria alguma coisa nova acontecendo. Mas o que?” Novamente leva a bebida à boca. “É, talvez você tenha razão, meu caro amigo” Terminou o copo e se levantou dirigindo-se à mesa de sinuca enquanto falava para o garçom “Ei, garçom, me traz outro copo que a noite ainda não acabou”. E foi recebido com risos e piadas pelos seus amigos.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

A dita força de um guerreiro


Sempre muito orgulhoso
de sua força aparente.
A se sentir no fundo do poço
mas com armadura reluzente!

Com suas conquistas, conquistava confiança.
Mas sua maior conquista, era não confiar!
E que conquista sem confiança se alcança?
Aquelas das quais fogem, os que se deixam conquistar!

E não se deixando ou pensando em deixar
se ''libertava" e assim pensava se salvar...
Daquilo que os mais fortes procuravam
e ele fugia, por não poder fraquejar.

Seus olhos ainda brilham, mais que a armadura,
por um motivo ainda a definir.
Se por orgulho, satisfação e bravura
ou pelas lágrimas que a força impede de cair.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Relato da loucura de uma mente insana 2



Pronto, agora ele era o ultimo. O que sobrou. Todos os seus amigos estavam namorando, tinham alguém de quem gostavam e que gostava deles. Mas não ele. Não. Nunca sequer tivera um relacionamento de sucesso. Três semanas, um mês, um mês e meio, não passava disso. Não que não ficasse feliz por seus amigos, pelo contrário, mas ficava triste por si mesmo. Não queria exatamente um namoro, só queria que alguém sentisse por ele o mesmo que ele sentia. E com a cabeça cheia desses pensamentos, ele dormiu.
Seus amigos tentaram apresentar algumas pessoas, mas nenhuma o interessou. Até um dia que conheceu uma menina  por acaso. Daniela. Ela esbarrara nele no metrô, derrubando o café que segurava e sujando-o todo. Fora o suficiente para começar uma conversa. Saltaram na mesma estação e continuaram conversando até ele chegar ao trabalho. Trocaram contatos e se separaram.
Eles continuaram conversando pela semana que se seguiu e marcaram de sair. Não só naquele fim de semana, mas em vários outros, até que começaram a namorar. Seus amigos que já ouviam tanto sobre a tal Daniela, agora passaram a ouvir mais ainda, mas nunca a conheciam. Ele tentara várias vezes apresentá-la aos amigos, mas nunca conseguia. Sempre surgia algum imprevisto e ela não podia.
Até um dia. 11 de junho. Acordara com ela em sua cama. Tinham passado a noite juntos. Ao sair de casa esbarrara em seu melhor amigo. Apressou-se em apresentar Daniela. Finalmente alguém a conheceria. Mas percebeu um certo olhar de estranhamento no amigo. Olhou para Daniela sem entender. Até que ela disse "Desculpa" e então sua imagem desapareceu aos poucos.
Sua mente voltou a todos os momentos em que passaram juntos. Não. Não tinha como tudo ser invenção. Não tinha como ele ser tão perturbado assim. Entrou correndo em casa, ignorando seu amigo, e se trancou. Chorou. Chorou lembrando de tudo. Fora tudo falso. Viu escondido no canto o presente que daria a ela de dia dos namorados, um album de fotos. Pegou-o e abriu. Fotos sozinhas em diversos lugares. Viu uma por uma, chorando cada vez mais.
Três dias depois. Três dias sem ninguém conseguir falar com ele. Seu melhor amigo resolveu invadir seu apartamento. Encontrou-o em sua cama. Morto. Um bilhete em sua mão dizia "É tudo uma farsa. Sempre foi".

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Feridas sem curativo

Preciso de algo pra me apoiar. Alguém pra secar as lágrimas e dizer que está tudo bem. Preciso de um pouco de felicidade. Preciso curar as feridas. Preciso. Não consigo.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Relato da loucura de uma mente insana

Tinha sido um longo dia no trabalho. Jack chegara em casa cansado. Abriu a porta e fora recebido por sua filha vindo correndo em sua direção. “Papaaaaai” ela berrou enquanto pulava para seu colo, abraçando-o. “Oi amor, chegou tarde hoje” ele escutou sua mulher falando da cozinha. “Problemas no trabalho, tive que fazer hora extra” ele respondeu enquanto tirava o paletó e seguia em direção a cozinha. Beijou a mulher e ajudou-a a terminar de preparar a janta.
Jantaram todos juntos como uma família feliz. Após a janta, mandou a filha dormir e, enquanto sua mulher retirava a louça e a lavava, foi para o quarto da filha contar uma história para que dormisse. Contava e encenava uma história em que um cavaleiro enfrentava dragões e gigantes para salvar uma princesa que tinha o mesmo nome da menina e, ao fim da história, ela já estava dormindo.
Foi para seu quarto e trocava de roupa quando sua mulher apareceu e abraçou-o. “Nós podíamos aproveitar que a Julinha dormiu rápido” ela disse ajudando-o a retirar a roupa. Ficaram nus, deitaram na cama e fizeram amor. Não o faziam há muito tempo e o ato pareceu até diferente, mas não deixara de ser prazeroso. Após o ato, cansados, caíram no sono.
Acordou durante a noite com o barulho da campainha. Botou uma roupa e foi atender a porta. Era seu primo. “John, o que faz aqui a essa hora?” perguntou.
“Eu estou preocupado com você, Jack...” John respondeu “Não só eu, mas seus amigos do trabalho também”
“O que você quer dizer com isso?”
“Roberto me ligou hoje. Ele disse que você tem ficado até tarde no trabalho sem motivo, dizendo que está trabalhando num projeto que já terminou. No projeto que você estava trabalhando antes do acidente.”
“Que acidente, John?”
“Como assim ‘que acidente’, Jack? O acidente de carro que levou a Julia e a Sally.”
“Mas elas estão a...” e parou a frase no meio. “Julia” berrou enquanto dirigia-se ao quarto da filha.
“Jack, espera” John tentou pará-lo sem sucesso.
Jack chegou ao quarto da filha. Onde antes estava sua filha havia agora um urso de pelúcia. “Não, não, não pode ser” ele começou a falar já com lágrimas nos olhos “Sally” berrou enquanto dirigia-se a seu quarto.
Encontrou apenas um quarto desarrumado. Gozo em cima da cama. E nenhum sinal de sua mulher. Caiu ao chão chorando. John chegou devagar e disse “Elas se foram, Jack, você tem que superar isso, pare de causar ainda mais sofrimento a si mesmo”.

sábado, 19 de novembro de 2011

A granada

Conheci essa garota um certo dia, Doutor. Ela era incrível, exatamente tudo aquilo que eu procurava em uma garota. Não teve como evitar, me apaixonei. Depois de algum tempo tive a oportunidade e aproveitei-a, fiquei com ela.
O senhor é casado, Doutor? Melhor, o senhor já amou antes? Se já amou vai me entender. Naquela hora eu soube que era mais que paixão o que eu sentia. O beijo não foi nada demais, foi completamente normal, mas o sentimento tornou aquele momento simplesmente perfeito. Foi indescritível.
Nós continuamos a ficar durante algum tempo e depois de exatamente um mês e três dias eu resolvi que era hora, pedi ela em namoro. Ela aceitou. Naquele momento eu fui a pessoa mais feliz do mundo, mas também a mais idiota, resolvi dar uma granada de presente pra ela.
Sabe Doutor, essa granada era muito importante pra mim, significava muito dá-la pra ela. Eu nunca tinha feito algo assim. Pedi pra ela cuidar muito bem dessa granada. E ela o fez. Por um tempo. Pra ser mais exato, por três meses. Então Doutor, aconteceu o pior. Ela terminou comigo e... Não, calma, esse não é o pior. Ela terminou comigo e jogou a granada no chão. A granada explodiu. Levou com ela minha calma, minha felicidade, minha vontade de viver...
E é por isso que eu estou aqui, Doutor. Quero meu eu de volta. Todos falam que o senhor é o melhor nesse assunto, espero que possa me ajudar.
Tão comum assim, Doutor? Mesmo?
Então só vou precisar de tempo pra isso né?
Okay, Doutor, não cometerei esse erro de novo, acharei quem valha a pena entregar essa granada. Muito obrigado pela sua ajuda, espero não ter que voltar aqui.

"And she's holding on my heart
like a hand grenade"

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Herói de guerra

Ele disse "Filho, você já viu o mundo? E se eu te disser que você pode, que você só precisa pegar esta arma e que ainda será pago pra isso?" e assim eu me alistei para o exército. Ganhei o uniforme que eles chama de farda e rasparam minha cabeça. Fiz diversos amigos enquanto aprendíamos a lutar e, por fim, fui mandado à guerra. Ansiava por ser considerado um grande herói de guerra, lembrado por todos.
A princípio não tive muito trabalho, mas um dia fui mandado com mais três soldados para capturar um homem. Invadimos sua casa e ele se rendeu facilmente. O levamos em meio ao choro de seus filhos, mulher e amigos, carregando-o com um saco em sua cabeça.
Chegamos ao galpão onde o interrogaríamos. Eu não fazia ideia de como interrogar alguém, então deixei-os começar. Era uma cena horrível, eles tiraram a roupa do homem, bateram nele com punhos e armas e até urinaram nele. Mandei-os parar mais de uma vez, mas, no fim, me juntei a eles.
Hoje eu percebo que foi ali que a guerra tirou qualquer resquício de sanidade que me restava. A sanidade só voltou a mim após o último acontecimento daquela guerra terrível. Eu estava na frente de batalha quando de repente avistei uma mulher em meio a troca de tiros, rosto confiante e vindo em nossa direção. Eu a mandei parar, mas ela continuou. Foi então que avistei algo em suas mãos.
"É isso" pensei "ela está armada".
Levantei a arma.
Um tiro certeiro.
O exército inimigo parou de atirar.
A mulher caiu.
Em suas mãos podia-se ver uma bandeira.
Uma bandeira branca como a neve.
Eu fiquei sem reação. Minha arma caiu. O exército inimigo se rendeu.
Depois eu vim a saber que aquela mulher que governava o país e, por matá-la, eu fui considerado um herói de guerra.
Um herói de guerra, é só o que eles vêem, apenas medalhas e cicatrizes, orgulhando-se de mim, orgulhando-se por algo do qual eu não me orgulho.

domingo, 24 de abril de 2011

A queda

É isso. Agora só faltava dar um passo. Depois disso, tudo teria fim. Finalmente se veria livre do estresse, das brigas, da tristeza, da infelicidade. Um passo para acabar com tudo. Tudo.
Respirou fundo. Deu o passo. Enquanto caía toda a sua vida passava diante dele. Lembrou dela e o que ela lhe causou, o quão triste ficou por causa dela, deprimido, até chegar ao ponto em que estava, de se suicidar. Porém, lembrou-se também dos momentos bons, lembrou que antes disso havia ficado muito feliz com sua companhia, lembrou de seus amigos que sentiriam sua falta apesar de tudo e dos momentos que passara com eles. Não, não valia a pena por um fim em sua vida por causa dela, não importa o quão importante ela fora. Droga, agora era tarde demais. O chão se aproximava. O prédio de onde pulou era tão alto que era capaz dele abrir um buraco direto para o inferno.
Cinco metros. Ela na cabeça. Quatro metros. Seus amigos em mente. Três metros. A família toma conta do pensamento. Dois metros. Nada em mente. Um metro. Fecha os olhos. Adeus.

***

Sentou rapidamente em sua cama. Respiração acelerada. Olhos arregalados. Acordara de súbito. Levantou e foi até o banheiro. Olhou no espelho. Seu rosto estava terrível após o sonho. Molhou o rosto e voltou para a cama. Deitou. Virou-se para sua mulher e pensou "Ainda bem que não dei aquele passo". E adormeceu novamente.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A última vítima

Ela abria os olhos. Dava para ver o medo estampado naqueles lindos olhos azuis. Ela provavelmente pensava "Onde estou? Como vim parar aqui?". Ele adorava essa confusão estampada no rosto de suas vítimas. Essa em especial era a mais bonita que já tinha conseguido, uma loira de olhos azuis comparável as mais lindas atrizes. E ali ela se encontrava, amarrada em uma cadeira na sala de sua casa, de frente para uma mesa de jantar e do outro lado da mesa ele a observava enquanto comia sua janta.
- O que você quer comigo? - ela berrava em meio a um choro desesperado em vão, pois nenhuma resposta era dada.
Ele terminou sua janta e se ausentou. Ela reparou que havia uma faca na mesa. Levantou-se com a cadeira junto e agarrou a faca de costas. Sentou-se e começou o trabalho de cortar as cordas que a amarravam. Terminou de cortar e correu para fora da casa. Ele a observou correndo para fora enquanto pensava "O jogo começou".
Ela corria pela floresta que cercava a casa do sujeito sempre olhando para trás para saber se ele a perseguia.
- Você sabe que não pode fugir - ela ouviu uma voz a sua frente falar e quando menos percebeu, lá estava ele, o homem que a raptara, na sua frente. Ela então correu em outra direção enquanto ouvia os ecos da voz do homem berrando - Pare de tentar - ele dizia- Você sabe que é impossível. Grite o quanto quiser, ninguém te escutará.
Ela corria o mais rápido que podia. Tropeçou. Fora o suficiente para que ele a alcançasse. Forçou seu corpo contra o chão, tirou uma faca da cintura e cortou-lhe a roupa. Sim, era a vítima mais perfeita que já havia conseguido, tinha essa certeza agora que a via nua a sua frente. Ela não se mexia com medo da faca. Cortou-lhe o rosto e lambeu a ferida. Deixou seu instinto animal guiá-lo. Cortava-a, enquanto estuprava-a enquanto dizia "Grite, só torna tudo mais divertido". Matou-a por fim, deixou o corpo ali e voltou para a casa.
Mais tarde naquele ano a polícia acharia o corpo não só daquela menina, mas de várias outras floresta adentro, porém nunca acharia o sujeito que as tinha estuprado e assassinado, este já se encontrava bem longe.