sexta-feira, 12 de março de 2010

Déjà vu

Lá estava ela. Subindo no altar. Estava linda, mais que o usual, era uma deusa na Terra, não havia mulher mais perfeita que ela. "Como pude deixar isso acontecer?" eu pensava. Éramos amigos desde a infância. Eu a amava desde a infância. Agora, eu apenas sofria vendo o amor da minha vida subindo ao altar com outro homem. Eu não conseguira mostrar meus sentimentos a ela, eu fui um covarde. Sofri vendo-a com outros homens, mas no fim, eles sempre terminavam e eu pensava ter uma nova chance. E a desperdiçava. Até vir uma vez que foi definitiva, até vir aquele que a pediu em casamento, aquele que agora se encontrava no altar com ela. Como eu poderia adivinhar que aquele simples beijo chegaria a tanto? Era apenas um beijo. Sentia um grande aperto no coração enquanto os votos eram pronunciados. Não aguentei. Saí. Não aguentaria ver mais nada.
Chamei um táxi em frente a Igreja. Dei o endereço da minha casa e fiquei absorto em pensamentos. Tudo que me vinha na cabeça era ela com ele, ele com ela. O cara errado com a mulher perfeita. Ele era tudo de ruim que ela nunca quis. Fumante e sempre bebendo algo. Como ela foi se apaixonar por ele? Justo ele. Meus pensamentos voaram até a noite de núpcias. Ele tirando seu vestido. Não, eu não posso olhar, por que minha imaginação faz isso comigo? O ciúme me consome, tomando controle sobre mim.
Meu peito começou a doer. Minha visão ficou embaçada. Meu olho se fechou. Escuridão. Nada. Seria a morte? De repente ouço a voz do taxista.
- Chegamos - ele diz.
Eu acordo de meus pensamentos. Não era a morte. Não tinha tanta sorte assim.
Peguei o dinheiro e o paguei. Ao sair do táxi ouço-o falar:
- Segundas chances acontecem, seja otimista.
Subi sem entender o que ele dissera. Deitei na cama como estava. Chorei. Chorei por horas. Chorei até adormecer.
Acordei em um lugar diferente. Onde eu estava? Parece... Parece com... Meu quarto quando adolescente. Corri para a cozinha e lá estava minha mãe, preparando o café-da-manhã. Minha falecida mãe. Corri e abracei-a. Chorando. Ela não entendia nada. Abracei-a como nunca. Ela sem entender falava:
- Filho, deve ter sido só um pesadelo, fica calmo. Olha, a Mariana veio aqui te procurar, mas você tava dormindo, dá uma passada lá na casa dela.
Meus olhos brilharam ao serem ditas essas palavras. Mariana. Seria essa minha segunda chance? Seria tudo aquilo um sonho? Um aviso? Corri para a casa vizinha. Toquei a campainha. Ela atendeu e sorriu ao me ver. Aquele sorriso. Aquele menina. Quem eu amava. E dessa vez, não deixaria que me tirassem ela, não iria perdê-la de novo.

2 comentários:

Thiago Ururay disse...

De repente 30...

Mas é isso... Segundas chances acontecem... mas não podemos confiar só nelas... temos que tentar na primeira também!

Leonardo Cármine disse...

Efeito Borboleta...

Mas mesmo sendo idéia de cinema adorei o post,é isso aí,só é pena que nem sempre temos segundas chances,né?